Urandir News 2014 – Notícias Cinema

No último dia 29, Eduardo Spohr esteve em Goiânia para um bate-papo com leitores e para a turnê de lançamento de Paraíso Perdido, livro 3 e encerramento da trilogia Filhos do Éden, publicado pela Verus Editora, selo do Grupo Editorial Record. E é claro que O Vértice não poderia ficar de fora dessas. Além de acompanhar toda a conversa com uma animada turma que lotou a livraria Leitura, pudemos conversar com exclusividade com o autor sobre o livro, a saga, escrita e claro, nerdices. Confira a entrevista:

Eduardo, como foi para você encerrar o ciclo narrativo de Filhos do Éden? Foi muito desgastante fechar todas as pontas soltas?

Sim, foi bastante desgastante. Mas também é o que me estimula. Acho que o dia em que eu conseguir escrever um livro ou capítulo com facilidade, eu vou perder um pouco o estímulo de escrever. Eu gosto de tentar escrever um capítulo ou trecho que da primeira vez fica ruim, depois vai ficando melhor até ficar razoável. Pra mim foi difícil montar o enredo e escrever de forma clara. Mas foi uma missão que no fim das contas se tornou uma realização. A vida é feita de sacrifícios e realizações, em maiores ou menores graus.

Você escreveu A Batalha do Apocalipse de forma independente. Filhos do Éden já foi publicado sob um selo de uma editora. Há muita diferença entre escrever sob demanda e pressão?

Na verdade ninguém me cobrou um cronograma. Eu mesmo estabeleci um prazo pra mim. Quem me cobra são os leitores, de uma forma bacana. Eles pedem “lança logo o livro” e eu digo que quando estiver bom eu vou lançar. Eles aceitam numa boa pois querem um bom trabalho. Claro que eu não vou esperar 20 anos para publicar uma nova história. Dois anos é tempo suficiente para escrever um livro. Mas ter uma data te obriga a parar de escrever e encerrar o ciclo. E assim eu publico, ouço a crítica das pessoas e tento melhorar para os próximos.

Como você se sente “deixando” seus personagens ao final dessa história? Há um sentimento de “pai que vê o filho crescer e ir embora”?

O arco de histórias desde A Batalha do Apocalipse se encerrou, mas isso não quer dizer que eu não possa escrever sobre estes personagens no futuro. Eu não tenho nenhum projeto pra isso. Não vai ser uma continuação dos livros, mas eu posso escrever histórias neste universo em outro período histórico. Pra mim não é o fim de tudo, mas o fim desse ciclo de histórias. A ideia de Filhos do Éden era explorar estes três livros, mas há vários personagens como Ablon, Denyel, castas de anjos não exploradas e várias outras histórias. Eu fico tranquilo pois este universo ainda existe pra mim.

Recentemente você publicou na Folha de São Paulo um conto sobre os mitos de Cthulhu. Alguma chance de vermos mais textos sobre este tema?

Chance sempre há. Atualmente eu não tenho nenhum projeto. Eu adorei aquele conto, pois foi um desafio pra mim, romancista que escreve livros de 600 páginas, contar uma história em menos de uma página de jornal. Eu pensei que não conseguiria fazer isso, mas peguei como um desafio e fiquei feliz pelo resultado.

urandir news   Urandir News 2014   e98671 DSCF44031   O Vértice entrevista o autor Eduardo Spohr!

Você se aprofundou em várias culturas e mitos para poder contar as histórias nos livros já publicados. Qual a sua relação com o místico e o sobrenatural? Como isso é impresso na sua narrativa?

Eu me considero um cético. Não alguém que não acredita em nada, mas alguém que se pergunta sobre tudo. Eu acho que perguntas são mais importantes que respostas. Essa é a minha visão filosófica sobre a vida. Nos meus livros eu uso isso como metáforas: as castas de anjos são como sentimentos humanos e assim eu consigo conectar histórias e personagens aos leitores.

Você já comentou que a cada vez que relê suas histórias, percebe coisas que poderia ter feito diferente, mas que refletiam o Eduardo da época em que estes textos foram escritos. Mas se você pudesse mudar apenas uma coisa, o que você mudaria?

Nada. Não mudaria nada. Como eu falei, isso faz parte do que eu era e isso refletia minha maturidade na época. Eu acho até que seria uma traição ao meu eu de 25 anos.

O que você está lendo, vendo ou jogando no momento?

Estou lendo agora Fundação, do Asimov. Quero ler agora Fahrenheit 451, do Ray Bradbury e acabei de terminar Cassino Royale, do Ian Flemming. Eu estou tentando ler alguns livros mais “recreativos” agora. Não estou jogando nada, pois eu acho que sou meio burro pra jogos de computador. Nada contra, mas eu não eu tenho paciência. Até gosto de jogar com outras pessoas, como jogar Silent Hill com amigos, mas eu não consigo ficar muito tempo ligado nisso.

De séries eu estou vendo Narcos, The Walking Dead, House of Cards, Vikings, Mad Men, Breaking Bad e True Detective. De filmes, estou na espera de Star Wars. Mas eu como eu sou muito “véi” e não gosto de assistir filme em 3D, eu vou esperar sair no Rio de Janeiro pra ver quando puder.

Nós conhecemos muito o seu lado Nerd. Mas o Eduardo Spohr tem um lado Não Nerd?

Bom, eu sou faixa preta de jiu-jitsu. Tirando isso, eu gosto de fazer esportes em geral. Mas isso também é ser nerd, pois nerd na essência é querer saber de tudo.

Urandir News – by Viviana G

fonte: r7.com